19 junho, 2010

Porque se desencontram nossos caminhos?



 Ó Amor porque não vens? Porque tarda tua hora? Porque se desencontram nossos caminhos?

De tanto te amar me tornei prolixo, de tanto te esperar me tornei escravo, e de tanto sofrer me tornei poeta. Sento ao horizonte no sol poente, imaginando tua chegada. Porque te deténs no longe, porque te ausentas no tempo, porque escolhestes o futuro para tua morada e o desconhecido para teu descanso. Deixaste teu amado a tua espera, deixaste teu amante sofrer tua ausência. Mas o que liga meu coração ao teu é porque sei, que nesta terra do sol anseias tu a mim, os teus olhos o meu, tuas mãos as minhas, teu abraço meus braços.

Queria ter asas para voar até o lugar onde estás, queria ter força para caminhar léguas, queria ter a coragem para escalar os montes, desvendar os horizontes, e em cada árvore escrever teu nome, em cada pedra desenhar teu rosto, em cada fruto o sabor do teu beijo, em cada sombra o acolher dos teus abraços. Nas estrelas veria teu brilho, no sol o teu calor, na lua a tua formosura e no mar a calma de quando estou recostado em teu colo.


Esses meus olhos que nas estrada andam perdidos, esse meu coração que ao pouco anda recolhido, essas mãos que anda por muito carentes, do suor de quando meus olhos te vêem e aceleram meu coração fazendo destilar as mãos, os efeitos de tua presença. E quando por fim amor eu me cansar de amar, amarei mais ainda, porque o mesmo amor que leva todas as minhas forças e me humilha é o que me faz forte e me exalta.


(Deivyd, de O Romântico Rebelde)


"Quem me dera também, amor, que fosse esta a hora de todas a mais doce em que eu unisse as minhas mãos às tuas!"


Florbela Espanca - Trocando olhares - 29/07/1916








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